sexta-feira, 12 de agosto de 2016

O CHUÁ DA CACHOEIRA





A água vai descendo por sobre a rocha cantando
Um chuá, chuá com a suavidade de uma canção
Dedilhada em tons suaves e fortes de um violão
Sabe enfrentar obstáculos, segue caminhando.

Serpenteia vales e montes com sabedoria
Nada a detém. É capaz de alcançar a vitória
Com serenidade prossegue em sua trajetória
Sendo uma observadora de sua própria magia.

A trilha da vida é como o curso de um grande rio
Que me ensina caminhar com passos confiantes
Seguir a minha estrada sob o sol causticante
Sendo apenas testemunha dos muitos desafios.

Entrego minhas mazelas às águas da cachoeira
Que vão sumindo até chegarem ao grande mar
Sentir o perfume das flores e aprender a amar
E poder deixar livre minha alma prisioneira.


Neneca Barbosa
João Pessoa, 12/08/2016

sábado, 23 de julho de 2016

A MAGIA DA LUA






Lua prateada que aparece no céu
Enche-nos com seu brilho, sua magia
Deixa seu corpo nu, tira o seu véu
Deslumbra-se com beleza e energia

Oh, Lua! É dos poetas a inspiração
Flutua com seus beijos por sobre o mar
Dos enamorados é sedução
Vem com seu esplendor nos enlaçar.

Lua, lua! É também do poeta sua amante
Seu amor pelo sol retrata a realidade
Dos que se amam de forma delirante
E vivem sem se unirem de verdade.


Neneca Barbosa
João Pessoa, 22/07/2016

CREPÚSCULO


Lágrimas por sobre a relva vão escorrendo
Silenciosas deixam meu Ser fragilizado
O véu da noite se estende no céu estrelado
Sinto que meus sonhos não estão morrendo.

As estrelas brilham e falam de poesia
Quero ser livre e não pássaro aprisionado
Não temer o rochedo que será alcançado
E poder cantar uma bela melodia.

Pelo campo verde caminho até a fonte
Para banhar minha face ao nascer do sol
Imagens avermelhadas no arrebol
Deixam um belo cenário no horizonte.

Ah, o farfalhar da aragem trazida do monte
Levou minha alma ao deslumbre e ao devaneio
Buscar o amor será sempre o meu esteio
Na esperança de me tornar uma ponte.

Neneca Barbosa
João Pessoa, 17/07/2016

terça-feira, 5 de julho de 2016

AMOR E SONHOS





O som calmo da chuva chega sussurrando
Palavras doces que suavizam meu coração
Incentiva-me para prosseguir sonhando
Por um mundo melhor, sem guerra, sem ilusão.

Quero caminhar acreditando no amor,
Pegar uma estrela com a concha da mão;
Sentir o seu brilho no meu interior
Deixar correr livre minha imaginação.

Quero saciar a sede com água cristalina,
Que pouco a pouco, vai jorrando da fonte;
Sentir no meu corpo os pingos da neblina,
Feliz contemplar o cenário do horizonte.

Nas notas do amor está a melodia do vento,
Que oscula meu rosto em forma de poesia.
Penetra no Ser como sutil alimento
Aconchegando minha alma com paz e harmonia.

Ah, os sonhos! Estes dão sentido à vida!
Levam-me também a recordar o passado
Dos momentos bons e da saudade sentida
Daqueles sonhos que não foram realizados.

Neneca Barbosa
João Pessoa, 05/07/2016

sexta-feira, 10 de junho de 2016

SAUDADE E GRATIDÃO




Uma plácida noite vem nos aconchegar
Pintando na abóbada celeste uma bela tela
Formando uma silhueta no brilho de uma estrela
Deixando em nosso peito a saudade tremular.

Frei Marcelino, contigo aprendemos a lutar
Pelos nossos sonhos, ideais e nossas vitórias
Compondo com coragem as nossas histórias
Ensinaste com amor que era possível voar.

Encheste de esperança os trabalhadores da terra
Que plantaram as sementes para a fome matar
Lançaste no solo da vida a fraternidade exemplar
Usaste a linguagem da paz, em vez da guerra.

Lá no céu fazes parte de uma plêiade de estrelas
Servindo como guia aos que estão na caminhada
Teus ensinamentos germinaram pela estrada
Despertando consciências, enfrentando as procelas.

O povo catoleense expressa com gratidão
O grande legado que neste torrão foi deixado
Por este homem digno, consciente e muito honrado
Que abraçou com grandeza, carinho e amor este rincão.

Neneca Barbosa
Catolé do Rocha, 04/06/2016.

Escrevi esse singelo poema em homenagem ao Frei Marcelino, num misto de saudade e gratidão, pelo momento memorável da inauguração do seu Memorial, em Catolé do Rocha-PB, construído por Edenilda Cavalcante, esposa e companheira de seus ideais.