sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

FILHA LHE AMO


Você chegou ao mundo por dádiva divina
Enchendo de amor e alegria meu coração
Embalando em meus braços a minha menina
O peito transbordou de tão grande emoção.

Acompanhei com carinho seu crescimento
Uma bela criança inteligente e amável
Construímos laços fortes quão a força do vento
Que se perpetuaram de maneira imutável.

Cresceu tornando-se uma admirável mulher
É pra mim uma flor que simboliza o amor
Transmuta sua alma pela floração do saber
É minha âncora no meu momento de dor.

Indiquei as setas e tão bem aprendeu a voar
Enfrenta seus desafios com sabedoria
Filha, confia e segue em seu barco a navegar
Recebe o meu amor em forma de sinfonia.


Neneca Barbosa

João Pessoa, 12/12/2013

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

GRÃOS DE AREIA


Meus pensamentos vagueiam pelo inóspito deserto
Como grãos de areia que se deslocam ao sabor do vento
Vejo um pastor que arrebanha as ovelhas ao céu aberto
Numa ambivalência minha alma vive esse momento.

Da aridez do deserto ao crescimento espiritual
Gravando na rocha uma realidade auspiciosa
Que nessa travessia busco encontrar algo especial
Quiçá entre as dunas onduladas e silenciosas.

Sou do universo um viandante da imaginação
Percorrendo o caminho em direção ao horizonte
Movida pela força indescritível da oração
Sigo os sinais, sentindo o calor do sol na fronte.

No silêncio do deserto a noite é companheira
Para as reflexões dos significados da procura
Na visão onírica do infinito sem fronteiras
Despertar será fazer do mundo nova leitura.

Mas no meu deserto solitário cheio de miragens
Encontro água jorrando pra minha sede matar
Encantada com a beleza do verde da paisagem
Descubro que na Vida há sempre um oásis a encontrar.

Neneca Barbosa
João Pessoa, 11/12/2013


sábado, 30 de novembro de 2013

A CHAMA DA LAMPARINA




A luz bruxuleante da chama de uma lamparina
Ilumina a velha casa que abrigava minha alma
De um tempo memorável de lembrança repentina
A chama em espiral subia pelo ar, me dando calma.

Sob o alpendre eram contadas as mais belas histórias
Vivências remetidas da minha gente singular
Lições que carreguei para conseguir as vitórias
Ensinamentos que se perpetuaram no meu lar.

Meu espírito poético germinou de várias chamas
Vem permeando o lírico do meu sertão interior
Transformando com a vivacidade de suas flamas
A emblemática terra árida à beleza da flor.

Por que esta saudade não desaparece no ocaso?
Por certo é para manter vivas as memórias de outrora
Que trazidas nas asas do vento não por acaso
São realimentadas pelo amor que no meu peito mora.


Neneca Barbosa
João Pessoa, 30/11/2013

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

SER CRIANÇA





Ser criança é viver a Vida cantando
Expressar os seus segredos no olhar
Não ter medo de sorrir e brincar
Olhar as estrelas no céu brilhando.

Ser criança é correr livre e ser feliz
Aproveitar cada dia com alegria
Sentir a natureza em harmonia
E viver como um eterno aprendiz.

Ser criança é deixar a pipa plainando
Conduzida pela brisa do vento
Com ela vão as emoções do momento
Qual pássaro que nos ares sai voando.

Ser criança é aprender a compartilhar
Descobrir sua bela fase encantada
Na ciranda a cultura é resgatada
E a diversão no cantar e dançar.

Sentir esta criança dentro de mim
É recordar com saudade a beleza
Do meu espírito que tinha a leveza
Tal qual a candura de um curumim.

Nesta calma manhã fico a sonhar
Com a criança que vivo intensamente
É uma realidade que está na mente
No meu silêncio quero me encontrar.

Neneca Barbosa
João Pessoa, 03/10/2013

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O TRAJETO HUMANO



No seu caminho antropológico o ser humano
Depara-se com experiências inimagináveis
Ora de caráter insensível neste mundo insano
Ora transforma-se e cria sentimentos sublimáveis.

Tendo em sua natureza um modo contraditório
É admirável pela capacidade de produzir
Tem a necessidade de buscar sair do ilusório
E mergulhar fundo na transcendência do existir.

Caminha não se limitando à materialidade
Humaniza-se e dá significados a existência
Segue por veredas que compõem a diversidade
Adquire conhecimento que dilata a consciência.

Vai reconstruindo com luta seu universo interior
Nele surge uma flor de lótus que por sua vontade
Emerge da água lodosa do seu entorno exterior
Elevando seu espírito que sai da obscuridade.

Neneca Barbosa
João Pessoa, 23/09/2013

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

ALMA APRISIONADA




Voando cantam os passarinhos
Que pousam por sobre o telhado
Em bando chegam de mansinho
Alegrando o velho sobrado.

Uma alma com voz misteriosa
Ecoa lá dentro da mansarda
Não escuta uma ave prodigiosa
Que com seu gorjeio lhe aguarda.

Prisioneira das ilusões
É ávida de um mundo real
Deseja romper os grilhões
Sair da profundeza abissal.

Os mistérios de sua consciência
Com coragem quer desvendar
Para prosseguir na existência
E de novo sonhar e voar.

Neneca Barbosa
João Pessoa, 20/0/2013

CORTINAS DA MEMÓRIA





Abro as cortinas da minha memória
Num resgate fragmentado da infância
Ancoradouro para lembrar a história
Que reconstruo daquela velha estância.

Imagens se mesclam nesta aventura
Numa mistura de cheiro e sabor
Sobrevivem sem que haja ruptura
Com aquele passado sonhador.

Mergulho no riacho da meninice
Mundo repleto de criatividade
Como também de muitas peraltices
Sem máscaras vivia a felicidade.

Protagonista do teatro da Vida
Sou no palco a única personagem 
Represento minha história vivida
E a cada cena troco de roupagem.


Neneca Barbosa
João Pessoa, 19/09/2013